segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Vania Gondim

Maus presságios

Será mesmo que sabe o que faz,
quem deixa o cais de um porto seguro,
e se aventura nos mares de uma paixão?

Talvez esqueça que os mares são traiçoeiros,
em tempos de tempestades, são muitos os ventos,
é possível perder o rumo e até mesmo a embarcação

Quando perceber está no meio do oceano
não seguiu as lições de bons marinheiros
que escutam os avisos do tempo,
fugindo de nuvens negras e passageiras

Quando entender pode ser muito tarde
enveredar-se na ilusão de uma paixão
restando apenas o triste naufrágio,
desaparecendo para nunca mais.

VaniaGondim

domingo, 15 de novembro de 2009

VaniaGondim - Candente

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

VaniaGondim

Coloridos reversos

quero este laço
entrelaçando teus braços
no aconchego do ninho

quero este riso
com gosto de sol
cheiro de sal
entre algas verdes marinho

quero as cores dos versos
dançar os reversos
de um novo arco-íris

sábado, 5 de setembro de 2009

Artur da Távola

TEMPO

Hoje eu sou poesia,
Pedaço de nuvem
Nas mãos do teu dia.

Eu sou amargura,
Espaço de espanto
Num céu de loucura.

Hoje eu quero ser jardim,
Temporada de espanto
No sorriso de teu sim.

Agora vai ser a vez
Da esperança sem lança,
Da amizade sem força,
Do afago sem sexo,
Do sexo sem falsa noção de esmagar.

Chegou o tempo
De ser
E amar

Cecília Meireles

Á HORA EM QUE OS CISNES CANTAM ...


Nem palavras de adeus, nem gestos de abandono.
Nenhuma explicação. Silêncio. Morte. Ausência.
O ópio do luar banhando os meus olhos de sono ...
Benevolência. Inconseqüência. Inexistência.

Paz dos que não tem fé, nem carinho, nem dono ...
Todo perdão divino e a divina clemência!
Oiro que cai dos céus pelos frios do outono ...
Esmola que faz bem ... – nem gestos, nem violência ...

Nem palavras. Nem choro. A mudez. Pensativas
Abstrações. Vão temores de saber. Lento, lento
Volver de olhos, em torno, augurais e espectrais ...

Todas as negações. Todas as negativas.
Ódio? Amor? Lê? Tu? Sim Não? Riso? Lamento?
- Nenhum mais. Ninguém mais. Nada mais. Nunca mais ...

Cecília Meireles
In Nunca Mais e Poema dos Poemas
1923

FlaVcast

Chuva
04.09.09

Chove em minha janela
Chove forte e bate de frente
Com meu silencio desfecho
Em pingos diretos
...batem
A explodirem como coroas

Depois...
Acalma o vento
Sua fala é baixa tensão
Se fossem azuis
Rosas... azuis
Perfumariam a noite
Em pingos de sons.

Oswaldo Antônio Begiato

CINZAS DA SANIDADE

Varro o chão
Onde caíram as palavras comportadas
Que por entre dedos gélidos
De minhas mãos rudes
Deixei escapulir, por obstinação.

Junto-as e cremo-as.

As cinzas, entrego-as ao vento;
Leve-as ele para bem longe de mim,
Fantasma que são
Do poema reto
Que não me permiti consumar.

Não lapido as palavras.
Não destilo as palavras.

As lapidadas,
Deixo-as aos jovens apaixonados.
As destiladas,
Aos que delas se tornaram amantes incorrigíveis.

Quero-as selvagens,
Cheias de quinas e fios,
Cheias de doenças e vícios,
Para que quando brotarem de dentro de mim
Rasguem-me a carne,
Contaminem-me o sangue
E façam-se poemas tortos:
Eles me conferem vida intensa.

Não quero, pois, o poema da breve paixão,
Nem o da paixão amancebada:
Eu vou é me casar, para sempre, com o Cântico Negro.

Roberto Marinho de Azevedo

Quando Partes

Quando partes, não fogem as andorinhas,
Mas diabos espertos se instalam
Sob os móveis, tecendo mil intrigas
Como magras megeras desdentadas.
Quando te vais, não calam as avezinhas,
Mas começam a piar iniquidades.

Carlos Drummond de Andrade

Soneto da perdida esperança
Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim.
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.

Carlos Drummond

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Jandira Grillo

ARREPENDIMENTO

Se ao coração que chora fora dado
Em dose,embora escassa de beber,
A taça misteriosa do esquecer,
Quanto ser viveria embriagado.

Viver embriagado do viver,
E não lembrar jamais o que é lembrado,
Lembrar somente e apenas com cuidado
Que o cuidado maior é o de esquecer.

Divina fantasia de quem ama,
Tolher a chama ,quando a vida é chama
Matar a sede,quando a sede é de arte.

O intimo mistério de querer-te!
Maior que a própria pena de perder-te
Foi o arrependimento de buscar-te!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

James Joyce

Poema XXXIV

Durma agora, durma agora
fala meu inquieto coração
a voz chora: “durma agora”
É se faz ouvir no meu coração.
A voz do vento
se ouve na porta
Oh durma, para esperar a pri-ma-ve-ra
que está chorando: “Durma agora”.
Meu beijo trará a paz
E aquietará o coração
Durma agora em paz.
Oh inquieto coração.

James Joyce
Tradução: Eric Ponty

Anibal Beça

CÂNTICO DE CÂNTARO

Meu canto é fluvial
é cântico das águas
de cântaro canoro
enviesando várzeas.

Carrego em bilha ou pote
nossas moringas de águas
lamentos e benditos
num rosário de mágoas.

Comigo vai o canto
Que eu levo dentro da alma
Canto levado de espanto
Encantado que me acalma

Nas estações do verde
ciclos de nossas águas
marés cheias no outono
um verão de águas baixas.

Adélia Prado

"Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo."

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"ÍNDICE DE AGOSTO DE 2009" (clique nos links)

Agosto (2)
Manuel Bandeira
Reversos da vida

sábado, 15 de agosto de 2009

Manuel Bandeira

A Camões

Quando n'alma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil trizteza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões assinalados.

Reversos da vida

Reversos da vida

viro páginas
vento frio
preciso agasalhar

faço versos
sinto os reversos
seguirei a cuidar

cruzo esquinas
acendo velas
sinto fogo incendiar

VaniaGondim

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Índice Julho 2009

Explicando: Eu me calo - o clip

Fiz este clip de um poema de Oswaldo Antônio Begiato, dedicado ao meu filho André, de 27 anos, após seu transplante de duplo pulmão – Outubro/2008, musicado pelo seu pai, Sinédei Moura, e transformado por mim num clip de agradecimentos: em primeiro lugar a Deus, em segundo aos Deuses de todos os Sóis, em terceiro, pela coragem, força e alegria que aprendo a cada dia com a minha estória, e com a de todos que estão em minha volta, e a mim transmitem bons fluidos.

Amém.

Eu me calo

sábado, 4 de julho de 2009

Emiliana Delmina

ALMAS QUE SE BUSCAM


Como ao impulso material buscamos
um ser eleito, um emotivo ser,
assim nossa alma, sem que o percebamos,
busca outra alma que a saiba compreender.

São peregrinas que permutam ramos
da do bem querer.
E, nessas horas, sem dormir, sonhamos
raras delícias que nem sei dizer.

É o aroma sutil da afinidade
isenta de paixão ou de ansiedade,
envolvendo dois seres imortais.

É sentimento puro, imaculado,
essência sem veneno do pecado,
é sidérea poesia – nada mais.

Emiliana Delminda
in Folhas Caídas

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"ÍNDICE DESTE BLOG DE JUNHO 2009" (clique nos links)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Rubem Alves

A palavra é o começo de tudo.
Com a palavra o universo começou.
Com a palavra,nós começamos.
Somo poemas encarnados.
Somos as estórias que moram em nós.
Se as estórias que moram em nós
formarem estórias belas,seremos belos
e bons.
Toda palavra genuína,deve nascer do silêncio.
Não posso crer nas declarações de solidariedade
daqueles que não frequentam a solidão da sua
própria consciência.

(Rubem Alves)

Paulo Leminski

AMOR BASTANTE

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Paulo Leminski

domingo, 28 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

VaniaGondim

sábado, 20 de junho de 2009

Tereza Lima Gondim

Partitura

palavra instrumento
desafogo ao coração
espelha o sentimento

em si mesmo percute
musicando em bemóis
pouco a pouco semitom

mudança e sustenido

da à vida o seu sentido

Tereza Lima Gondim

VaniaGondim



Partituras

Gosto todas as vezes que você chega
sem me avisar

Passo horas, dias, anos...
nesta espera lenta
como um rio que chora
lamento de solidão na correnteza
sem barco pra navegar

Gosto quando a noite é de lua
vejo meu reflexo em seus olhos
imagino quanto tempo
ainda terei que esperar

Já passaram décadas... milênios
vislumbro cada estação
mudando o cheiro das flores
temperando todas as cores
acalmando minha inquietação

Gosto quando você chega
trazendo na mala novos versos
partituras de novas canções.

VaniaGondim

Ópera dos interior - Jaak Bosmans

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Tereza Lima Gondim

Soma

Se... reflete na realidade
a vida é um sonho
Mas só para mim? não é verdade...

Cada instante é um renascer
Em cada renascimento um novo dia
O que é de ontem lá ficou

Agora a cumplicidade

Lágrima e sorriso é o que somou

Américo Sidnei Rissato

Frio do Inverno

Meu Deus! Que frio! Que inverno!
Será que estou mesmo vivendo?
O frio é demais meus pés estão congelados.
Será que não morri e estou no inferno?

Não, creio que não, na verdade frio esta o meu coração.
Ademais o inferno deve ser quente pra diabo
E se for quente mesmo como afirmam os que crêem
Por favor, que para lá me leve, quem sabe por ele serei amado.

Autor: (Américo Sidnei Rissato)